Artigo: Enfim, a vacina

”A última segunda-feira ficará marcada para sempre na minha memória, tive a oportunidade de, ao lado do secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres, receber as primeiras doses da CoronaVac que chegaram a Brasília para imunizar nossa população”

Flávia Arruda*
Esta semana começou trazendo de volta a todo o país algo que desejávamos, mas, além disso, que precisávamos. A esperança, o suspiro de alívio em mais um passo dado, o momento de paz, depois de tanta dor. Finalmente, temos a vacina, e podemos presenciar os primeiros brasileiros recebendo a tão esperada dose.
A última segunda-feira ficará marcada para sempre na minha memória, tive a oportunidade de, ao lado do secretário de Segurança do Distrito Federal, Anderson Torres, receber as primeiras doses da CoronaVac que chegaram a Brasília para imunizar nossa população. Considero esse um momento histórico. Como parlamentar, tenho mais do que o desejo, mas a obrigação de acompanhar de perto e representar os interesses de milhares de moradores do DF e do país. Temos todos o mesmo anseio de ver essa página virada, o fim da pandemia, que nos deixa aprendizados.
Quando votamos no Congresso a MP 994/2020, que destinou mais de R$1,9 bilhão para a vacinação, eu estava consciente de que só a vacina nos tiraria desse pesadelo. Uma certeza de que seguia sendo o momento de priorizar recursos na saúde, com o único objetivo de preservar vidas. Foram centenas de reuniões, ligações, entendimentos, pontes que construímos com esse mesmo objetivo.
Acompanhamos diariamente os dados da covid-19, mas, a cada dia, os números passaram a virar nomes, conhecidos, próximos, que amamos. Uma amiga perdeu, neste período, o pai, a mãe, a irmã e o marido vítima do novo coronavírus. Uma família inteira vitimada. E, infelizmente, creio que cada um tem a sua história para contar, de perda e saudade.
Não nos interessam as brigas políticas. Não interessam as disputas para saber quem é ou deixa de ser o pai da vacina. O que importa é que cientistas do mundo inteiro trabalharam durante meses para chegar às fórmulas das vacinas. Uniram-se, dividiram conhecimento, buscaram em universidades o suporte acadêmico. E o Brasil, que tem um histórico reconhecido e é referência nas campanhas de vacinação, tem de se desdobrar, agora, para ter a quantidade necessária de vacinas para a população.
Eu sei a dedicação e o esforço sobre-humano dos profissionais de saúde para salvar vidas nesses meses terríveis. Quantos deles também não foram vítimas. Sabemos dos riscos que esses heróis anônimos correm para cumprir suas missões. Imunizá-los, prioritariamente, é um grande começo, é garantir que teremos quem siga cuidando das demais vidas e compartilhando essa experiência.
Não podemos deixar de olhar de forma ainda mais atenta o Sistema Único de Saúde, outro exemplo para o mundo. Foi o nosso SUS que fez e está fazendo a diferença em todo o país, dos menores e mais pobres municípios, até os grandes centros urbanos. Países ricos e desenvolvidos têm estudado o SUS como modelo de saúde universalizada. Nesse aspecto, o Estado brasileiro é, também, uma referência.
No Distrito Federal, temos uma realidade muito à frente do resto do país em relação às campanhas de vacinação nos postos de saúde. Mesmo com algumas dificuldades, temos uma estrutura hospitalar pública e recursos disponíveis. Agora, é preparar a logística necessária para atender os grupos de risco, os idosos, e seguir em frente para garantir imunização para toda a população. É isso o que o mundo todo está fazendo. Qualquer desinformação nesse tema não contribui com uma sociedade ávida por sair dessa fase horrível que vivemos.
Além da perda de vidas humanas, a pandemia nos deixa muitas lições em outras áreas, além da saúde. A desigualdade social ficou ainda mais evidente. Não há modelo de desenvolvimento que possa desconhecer essa abissal distância entre ricos e pobres. E os radicalismos devem ser substituídos pelo diálogo e pela solidariedade para construirmos um país mais justo.
Aprender as lições desta crise terrível é dever de todos nós. Não podemos sair iguais dessa pandemia, como cidadãos, como agentes públicos, como seres humanos. Esta semana é um novo começo. Que seja um período de valorização da ciência, dos profissionais da saúde, da cooperação e da solidariedade. Enfim, a vacina.
*Deputada federal (PL-DF) – Publicado originalmente no jornal Correio Braziliense

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