Inclusão: Sem acessibilidade não há igualdade de oportunidade para autistas
Flávia Arruda em reunião com parentes e pessoas com autismo

O autismo afeta o desenvolvimento e costuma aparecer nos três primeiros anos de vida, comprometendo as habilidades de comunicação e interação social. No Brasil, há cerca de 2 milhões de pessoas com autismo e no mundo todo chega a 70 milhões, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS).

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) costuma afetar 1 em cada 160 crianças no mundo, a maioria deles do sexo masculino. Com início na infância, a condição persiste durante a adolescência e vida adulta.

Segundo a OMS, as pessoas com autismo sofrem com o estigma, discriminação e violações dos direitos humanos. Em todo o mundo o acesso desse grupo a serviços e apoio é inadequado.

A mensagem transmitida pela Conferência Mundial de 1994, da UNESCO, sobre Necessidades Educacionais Especiais afirma que “A educação é uma questão de direitos humanos e os indivíduos com deficiência devem fazer parte das escolas, as quais devem modificar seu funcionamento para incluir todos os alunos”.

Escola Para Todos

Em uma reunião com familiares e pessoas com autismo, foi apresentado para a candidata à deputada federal pelo DF, Flávia Arruda (PR), o projeto Prática da Escola Para Todos, que visa à inclusão escolar para autistas. As criadoras são as professoras Cristiane Gomes e Thais Emanuelle Benício, que também é mãe de autista.

O motivo de Thaís ter desenvolvido o projeto foi justamente pelo alto custo do tratamento. A professora alega que o plano de saúde foi fundamental e sem ele não teria conseguido a assistência que tem para o filho hoje. “O governo não consegue atender a demanda dos autistas, já que o número vem crescendo muito rápido. No Brasil, temos um número muito elevado de autistas e infelizmente nossos governantes estão fechando os olhos para o problema”, explicou.

Apesar da Constituição garantir o direito de educação para todos, as escolas “regulares”, negavam a matrícula de um aluno de inclusão alegando não saber “lidar” com ele.  Hoje, é uma obrigação. Para Cristiane, essas crianças precisam de uma escola que as acolha. “A gente tem que amparar essas crianças que precisam de atendimento. Eu sou professora, estou em sala de aula e eu sei da necessidade que elas têm. Qualquer criança que a família consegue pagar um atendimento, tem o seu desenvolvimento, mas não são todas as famílias que podem. E os que estão sendo desassistidos, estão impedidos de ter um desenvolvimento mais eficiente, de ter uma vida normal, dentro dos padrões sociais e culturais de aprendizagem”, completou.

Thaís afirma que a escola oferece uma educação social e não de atenção e atendimento inclusivo para que uma criança tenha pleno desenvolvimento escolar. “É muito complicado você ter um filho especial e a sociedade é muito preconceituosa, então é difícil para a família ter a criança, e depois fica mais difícil você ver que você não tem ajuda do governo. Uma criança autista pode tudo, desde que ela seja acompanhada, assistida, ela vai ter uma vida completamente normal. Então, o meu objetivo aqui de falar com a Flávia, de ter chamado vocês, é que gente possa fazer com que o governo do Distrito Federal tenha uma equipe”.

O Prática da Escola Para Todos atende amplamente as necessidades dos alunos, sem distinção. O ensino inclusivo tem um importante papel social. Com o método de educar todos os alunos juntos, as pessoas com deficiência têm oportunidade de se preparar para a vida em sociedade.

Flávia Arruda ressaltou a falta de assistência de políticas públicas voltadas para pessoas com autismo e afirmou que não há mais tempo para ficar de olhos fechados para essas crianças e famílias. “Nem todo mundo consegue levar a criança na terapia, a gente sabe o quanto isso é caro e não é apenas um profissional, é multidisciplinar. Então, gente, eu acho que a luta de vocês é mais do que justa. Eu quero poder ler a proposta que você trouxe para ajudar no que couber a mim, como candidata à deputada federal, inclusive para que vire lei, projeto de lei, para que isso possa disparar para vários lugares”, disse. “Eu sei a luta que é para cada mãe, para cada família que tem um filho com autismo.Tenho acompanhado o crescimento do número de autistas que estão nascendo e são crianças mais do que especiais. Crianças e jovens muito inteligentes, muito perspicazes, mas que precisam muito da nossa atenção, do nosso cuidado e a luta da família em busca de auxílio, de amparo, é muito grande”, concluiu.

O Projeto

Criar um Núcleo de Atendimento Inclusivo de Autistas na Secretaria de Educação do GDF. Em todas as regionais do Distrito Federal seria criada a assistência aos Núcleos de Apoio Fixos, composto por uma equipe multidisciplinar: Fonoaudiólogo, Psicólogo, Pedagogo, Psicopedagogo, Terapeuta Ocupacional, Fisioterapeuta, Educador Físico, Nutricionista e Assistente Social.

O espaço físico das escolas deve conter:

  •  Brinquedoteca;

  • Parque e quadra com estímulos sensoriais;

  • Sala de aula sensorial para o atendimento multidisciplinar.

Crianças com TEA:  Salas reduzidas como determina a Lei Berenice Piana (Lei 12.764 2012), com monitores especializados e acompanhamento psicológico com as famílias e suporte assistencial. 4h/a em sala e 1h /a por dia com atendimento da equipe multidisciplinar.

Acompanhe a Flávia 

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