As hortas comunitárias têm o papel de produzir alimentos através do trabalho voluntário da comunidade. Elas podem ser implementadas em áreas públicas dentro da cidade ou em condomínios.
 
A qualidade de vida passou a ser prioridade para uma parte da população brasileira e do mundo, que busca hábitos saudáveis como uma boa alimentação. A Agricultura Urbana e Periurbana (AUP) promove a interação das pessoas com a natureza através de práticas que proporcionam benefícios físicos e mentais.
 
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) considerou a AUP uma importante ação integrante de políticas de desenvolvimento sustentável, tendo em vista a segurança alimentar e nutricional, elementos fundamentais para o desenvolvimento e o bem-estar social.
 
Projetos que visam a produção de alimentos com a participação da comunidade em áreas próximas às suas casas promovem a inclusão social e a segurança alimentar. Além da produção de alimentos para o consumo próprio, a AUP oferece vários benefícios ambientais, sustentáveis e educacionais, bem como a possibilidade de renda pela comercialização de seus produtos.
 
O Distrito Federal apresentava as principais características para dar continuidade ao pleno desenvolvimento de projetos de AUP, mas faltava organização, planejamento e incentivos para o desenvolvimento das iniciativas. Pensando nisso, durante o governo de José Roberto Arruda, várias propostas de projetos AUP foram desenvolvidas.
 
O projeto Hortas Comunitárias

Horta Comunitária 1024x768 - Horta comunitária como inclusão social e produtiva
 
As hortas comunitárias tinham um galpão de capacitação e convivência junto a elas para apoio às atividades da horta e guarda de materiais. Foram desenvolvidos diversos projetos de capacitação e trocas de experiências como uso de plantas não convencionais e plantas medicinais.
 
Na época do projeto, de iniciativa da então primeira-dama, Flávia Arruda, a QE 38 no Guará, área que antes era um terreno baldio utilizado como depósito de entulho, ganhou outro destino: área de plantio para horta comunitária, servir como fonte de alimentação saudável, com produtos medicinais e um galpão destinado para cursos comunitários para a comunidade.
 
Os locais que acomodavam as hortas comunitárias, recebiam instalação de água, luz, preparo da terra para a produção de hortaliças e sistema de irrigação. As instalações faziam parte do projeto Cidadania Cultivada – uma parceria entre a Gerência de Projeto Estratégico Polos de Agricultura Orgânica e Urbana do GDF, a Administração Regional do Guará e de órgãos do governo.
 
As escolas públicas e o posto de saúde também eram parceiros da horta do Guará. Programas educacionais em atividades com a terra poderiam ser desenvolvidos nas escolas e a produção de ervas medicinais seria utilizada para o tratamento da comunidade no posto de saúde.
 
Benefícios da horta comunitária
 
O projeto da horta comunitária buscava promover a conscientização e a capacitação dos moradores, incentivando a produção de alimentos sem agrotóxicos, uma alimentação saudável e o seu aproveitamento integral pela própria comunidade. O projeto gerou oportunidade de ocupação e renda, bem como a integração e organização em comunidade, a educação ambiental e o aumento na qualidade de vida.
 
Em busca do bem-estar coletivo, ações sociais e educacionais como hortas comunitárias são estimulantes para melhorar ambientes e a interação entre as pessoas nas cidades. Os benefícios das hortas são muitos, promovem a integração, revitalizam espaços e oferecem acesso a alimentos saudáveis e frescos.
 
Como fazer uma horta comunitária?

Hortas Comunitárias - Horta comunitária como inclusão social e produtiva
 
As hortas podem ser construídas em área pública ou ser parte de um condomínio. Podem ser cultivadas por pessoas de uma determinada comunidade, da vizinhança ou por cooperativas de produção sustentável, que se envolvem em todos os processos, desde o plantio até a colheita. Geralmente o trabalho é acompanhado e fiscalizado pelo poder público.
 
Os alimentos produzidos serão utilizados por famílias ou para a comercialização e geração de renda. Podem ser cultivadas hortaliças, leguminosas, frutas, produção de mudas ou plantas medicinais.
 
  1. Utilização de espaços urbanos – evitando que as áreas se tornem depósitos de lixo e entulhos;
  2. Segurança alimentar;
  3. Desenvolvimento local – aumento de oportunidades e trocas de conhecimento;
  4. Escoamento de águas das chuvas;
  5. Diminuição da pobreza – a produção dos alimentos é utilizada para consumo próprio e ainda como doação para uso comunitário, em escolas, creches e associações da própria comunidade;
  6. Geração de renda – em comunidades mais carentes, a possibilidade de venda dos produtos cultivados é uma opção muito praticada por meio de cooperativas e associações organizadas.
 
Conheça outros projetos desenvolvidos e relacionados ao Horta Comunitária
 
Meu Canteiro
 
Este projeto previa a destinação de terrenos públicos a famílias carentes onde poderão produzir alimentos para autoconsumo e comercialização. Um exemplo de terreno possível a ser ocupado era embaixo das redes de FURNAS em Samambaia.
 
Cada família tinha direito a 10 a 20 canteiros (dependendo do tamanho), sendo 20% destes destinados a retribuição social. Em 80% dos canteiros a pessoa produzia o alimento e conduzia ao destino de sua preferência. Já nos 20% de retribuição social, a produção era definida pela EMATER-DF e os produtos direcionados pela área de assistência social da respectiva Administração Regional.
 
Cabia ao produtor a entrega direta dos alimentos na instituição beneficiária. Ninguém recebia propriedade de terreno, nem tampouco podia construir qualquer estrutura para depósito de ferramentas ou insumos. Tudo deveria ser coletivo.
 
Cabia ao governo a destinação da área, sua infraestrutura, incluindo irrigação e preparação inicial dos canteiros, bem como a assistência técnica e supervisão das atividades. A manutenção seria por conta dos produtores. Cada projeto Meu Canteiro teria seu próprio regulamento e seria gerido por associação dos usuários, sob a fiscalização da respectiva Administração Regional.
 
Trocas Sustentáveis
 
O Trocas Sustentáveis, como o próprio nome diz, previa a troca de materiais recicláveis (papel, metal, vidro, plástico e resíduo orgânico) por alimentos produzidos nas hortas comunitárias. Assim, as hortas comunitárias passariam a ser quase que a extensão da casa das pessoas que poderiam colher diretamente na horta os produtos para suas refeições. A cada 20Kg de papel, por exemplo, a pessoa teria o direito de levar para casa 1Kg de alimentos que estivessem em produção, sendo que a própria pessoa poderia fazer a colheita ou receber o produto já colhido.
 
O projeto buscava estimular a reciclagem, promover a educação ambiental e alimentar, além de reduzir a produção de resíduos destinados aos lixões, ao mesmo tempo que favorecia o acesso a alimentos de qualidade a famílias carentes. Os materiais recicláveis recebidos na horta eram destinados a cooperativas de reciclagem que assumiam a responsabilidade dessa retirada e manutenção da estrutura necessária para isso. Não eram permitidas trocas em escala comercial de produtos.
 
Hortas pedagógicas
 
Este era o projeto de hortas escolares clássico, porém, com foco especial ao uso pedagógico das hortas, com capacitação dos professores envolvidos no processo. Os produtos colhidos da horta seriam destinados à merenda escolar e aos alunos que se dedicaram no cultivo. Nas hortas escolares, os pais dos alunos também recebiam treinamento de como construir sua horta em casa e um kit para tal.
 
Paisagismo Produtivo
 
Neste projeto, o governo faria uso de espécies de plantas olerícolas e fruteiras nos ajardinamentos e paisagismos das cidades. Este conceito já era utilizado em outros países e cidades no sul do Brasil. Os produtos seriam levados a uma unidade de higienização da SEAGRI e depois destinados ao consumo de famílias carentes ou instituições assistenciais.
 
Ao contrário do que possa parecer à primeira vista, as pessoas tendem a cuidar mais de plantas destinadas ao consumo do que só para embelezamento. A continuidade do projeto seria acompanhada pela NOVACAP que teria seus colaboradores treinados por técnicos da Emater-DF.
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